Com a morte de Lombardi, o famoso locutor do SBT de aparência desconhecida, Silvio Santos ficou seu grande amigo e a televisão brasileira seu uma de suas lendas. Aí podemos começar a fazer um exercício de lembrar neste post algumas lendas presentes e conhecidas dos brasileiros em seus lares.

Confira a seleção (e adicione nos comentários sua sugestão)

Lombardi – “Confira o resultado parcial da Telesena de Natal”. Ao longo da semana, essa era uma das frases mais ditas pelo locutor de Silvio Santos no SBT. No domingo, com sua voz conhecida e seu rosto desconhecido, Lombardi acompanhava Silvio durante seus programas, interagindo com o apresentador e o público.

Silvio Santos – De camelô a dono da segunda emissora mais conhecida do Brasil (que a Record não me ouça), Silvio Santos é uma lenda viva e quase sem mudanças na aparência e no cabelo. Além de proprietário do SBT, ele comanda boa parte dos programas da emissora, chegando a ocupar quase 100% do domingo.

Gugu – Gugu fora do SBT era uma coisa que ninguém imaginava que um dia pudesse acontecer. No entanto, o baixinho do pintinho amarelinho que cabe aqui na minha mão se foi para a Record. Momento ironia: levou consigo a alta qualidade de programação e quadros em que Gugu leva presentes aos pobres. Apesar de tudo, ele continua sendo um dos grandes apresentadores da TV.

Faustão – “Pô loco meu!”. Seu famoso bordão é repetido em todo o Brasil. Em versão mias light e com camisas menos espalhafatosas, Faustão também é um dos nomes fortes no comando de programas de auditório. Continua o mesmo, fala mais que os convidados, os interrompe e todo mundo aguenta o gordinho todos os domingos na telinha da Globo.

Russo – Conhecido contrarregra da Xuxa e do Faustão, Russo está vivo, acredite se quiser. Com idade desconhecida, o matusalém da Globo continua em atividade, divertindo o público, aparecendo na tela e se vestindo de diversas coisas bizaras. É uma das figuras mais queridas do País.

Chacrinha – “Alô, alô, Terezinha”. Chacrinha, foi sem dúvida alguma, um dos maiores nomes da televisão no Brasil, como apresentador de programas de auditório, enorme sucesso dos anos 1950 aos 1980. “Na televisão, nada se cria, tudo se copia” é uma frase sua como este blog já bordou anteriormente. Desde os anos 70 era chamado de Velho Guerreiro, conforme homenagem feita a ele por Gilberto Gil. Vou parar por aqui, porque falar de Chacrinha e seus feitos daria um post interminável. Salve!

Bozo e Vovó Mafalda – Um palhaço bizarro e uma velha vó bem maquiada. Não sei vocês, mas eu tinha medo de ambos.
Seguindo a risca a dita de Chacrinha, o personagem de Bozo veio da TV Americana para o Brasil. Nos Estados Unidos, existe uma lenda urbana, que diz que uma criança que participava do Show do Bozo teria se zangado com o palhaço e o insultado ao vivo, o curioso é que um fato parecido com esse realmente aconteceu na versão brasileira nos anos 80.
Vovó Mafalda era interpretada por Valentino Guzzo, criado pelo SBT para participar do programa infantil do Bozo na década de 1980. Sua última aparição foi no programa foi na Record em 1998.

Mussum e Zacarias O único negro dos Trapalhões no anos 80 falava com um jeito bem peculiar, com os bordões “cacildis” e “forevis”. Com fama de cachaceiro, ele chamava a maldita de “mé”. Era o único do grupo que não precisava fazer o menor esforço para ser engraçado, sua cara dizia tudo. Zacarias era tímido, baixinho e tinha a voz e a personalidade infantil. Bizarro era a sua peruca que sempre fugia de sua cabeça.

Dona Armênia – Famosa personagem de Aracy Balabanian, Dona Armênia apareceu em Rainha da Sucata e dois em Deus nos Acuda. Conquistou o público com suas três “filhinhas” e com o bordão “vou colocar tudo na chón”.

Gil Gomes – Repórter policial do famoso Aqui Agora, do SBT, Gil Gomes ficou famoso por suas interpretações na narração das suas notícias e sua mão em riste. Figura lendária com certeza!

Hebe – Quando algo é bonitinho, a velha diva loira da antiga TV Tupi falava “Gracinha”. Hebe comanda há séculos um programa toda a segunda-feira no SBT e que sempre perde em audiência para a Tela Quente, da Globo. O programa é ao vivo, e às vezes surgem gafes, enganos e atitudes politicamente incorretas da apresentadora, muitas percebidas de imediato pelos telespectadores, que parecem conformados com as mesmas. Talvez um dos trunfos do programa seja essa naturalidade da apresentadora, as gafes sucessivas e a intimidade com o público.

Cid Moreira com Mister M – Sim, este pequeno adendo de sua história vai abordar a lenda do Cid Moreira falando sobre o Mestre dos Mestres ou o Mago dos Magos.


“E agora Mister M? Principe negro de todos os sortilégios. Oh, paladino Mascarado, como é que você vai sair dessa?”. A frase soava como a de uma bixa velha falando de seu garoto.

Chaves – Chaves é um menino órfão de oito anos de idade, cujo nome é desconhecido. Vive em um cortiço, vila, supostamente no número oito, contudo é mais fácil encontrá-lo no pátio. É bastante pobre e vive atrás de um pouco de comida, doces ou brinquedos dos demais habitantes da vila. Sua personalidade demonstra uma certa ingenuidade, mas que às vezes é tamanha que parece ironia ou sarcasmo, o que irrita as pessoas, principalmente o Seu Madruga. Apesar de sempre ser chamado de Chaves, não é esse seu verdadeiro nome, e sempre quando vai dizer como ele realmente se chama, alguém interrompe a conversa (quase sempre o Kiko). Chaves possui só um apelido de: Morto de Fome. Possui alguns bordões como “Foi sem querer querendo”, “Tá bom mas não se irrite”, “Ninguém tem paciência comigo!” e “Ai que burro, dá zero pra ele!”. Seu choro também é característico: “Pi pi pi pi…”.

Velha Surda – Bizantina Scatamáfia Pinto, a Velha Surda, surgiu em 1956, no programa “Praça da Alegria”, de Manoel da Nóbrega, na extinta TV Tupi. Nos anos 60, foi com Nóbrega para a Globo e, depois com seu filho, Carlos Alberto de Nóbrega, entrou para o SBT em “A Praça é Nossa”, onde ficou por 14 anos até a morte de Roni Rios, seu interprete. A velha surda e um ícone da TV brasileira. Podíamos ver a velha surda deixar Apolônio louco…Gostaria de saber por onde anda Apolônio? hehe.

Anúncios

Depois de muito se repetir um dia a TV ficou sem assunto.  E descobriu que no fantástico mundo da web existem muitas possibilidades ainda inexploradas.  Daí para que os programas televisivos ficassem recheados de vídeos do You Tube foi um pulo. A criatividade do ser humano que reivindica seus 15 minutos de fama parece infinita diante das mentes cansadas dos produtores de televisão. O programa do Gugu, desde os tempos de Domingo Legal, tem um quadro destinado apenas aos vídeos engraçados/interessantes/bizarros que tem na internet.

Alguns programas jornalísticos também aproveitam as particularidades dos vídeos dos anônimos para preencher minutos na programação.  Uma operadora de celular paulista, a aeiou aproveitou os fenômenos da web para ilustrar uma campanha publicitária:

Cris Nicolotti desabafou e mandou longe tudo aquilo que lhe perturbava no webhit:  “Vai tomar no c*”

Agora podemos ver a atriz e cantora na novela das 8 da Rede Globo:

Falando só do último ano nós temos verdadeiros fenômenos da internet:

This is real life?

David foi ao dentista e sob o efeito da anestesia seu pai fez um dos vídeos mais fofos do ano.  O pequeno consternado com o ‘barato’ do medicamento foi capa dos principais portais noticiosos e ganhou espaço nos telejornais brasileiros.

No meu Crossfox

Stefhany é absoluta.  Sthefhany é fênomeno. A jovem do cantora do Piauí fez um vídeo em condições precárias com a música sobre o carro crossfox. Virou webhit, foi no Caldeirão do Huck e realizou seu sonho: ganhou o tal crossfox amarelo. O do vídeo era emprestado. Mas detalhe importante: a jovem tem apenas 17 anos!!

Como a fonte de criatividade do ser humano parece inesgotável e o tamanho do You Tube infinito não faltarão webhits para dar um up na programação televisiva, afinal ainda não é todo mundo que está incluído digitalmente.


Os canais de televisão enfrentam uma concorrência que pode ser bastante desleal: a internet. Através de downloads e transmissão via streaming, os internautas podem assistir a produções de outros países, e também programas produzidos pelas emissoras nacionais direto no computador. O gênero que mobiliza milhares de fãs, que correm atrás dos melhores links e para produzir legendas em tempo recorde, são as séries de televisão. Exibidas no Brasil em canais de tv a cabo, e também na tv aberta (a série Supernatural é recorde de audiência no horário nobre do SBT), os chamados enlatados americanos são o símbolo de uma revolução que acontece de maneira silenciosa e pode mudar a maneira de se fazer televisão no mundo.

Atualmente, podemos assistir aos episódios de Lost exibidos nos Estados Unidos ao vivo através de streaming. Notícias do mundo dos seriados são publicadas por aqui em sites e blogs quase simultaneamente às suas divulgações na terra do Tio Sam. Legendas são produzidas por internautas em tempo recorde. Pessoas de diferentes idades e classes sociais assistem e comentam séries produzidas para um público que vive uma realidade muito distante da brasileira. O lançamento da tv a cabo em 1991 foi responsável por parte do sucesso destes shows, mas a grande revolução veio mesmo com a popularização da banda larga nos últimos anos. A jornalista Fernanda Furquim, que lançou um livro sobre sitcoms e atualmente ministra cursos sobre a história das séries, nos anos 90 publicou a revista TV Séries e acompanhou com especial interesse a mudança no perfil dos fãs dos seriados americanos. “A evolução tecnológica estimulou muita gente a gostar de séries de TV, que antes dependiam unicamente do roteiro e do bom desenvolvimento de situações e personagens”, conta. Fernanda afirma não ter se surpreendido com o sucesso do gênero. “Sempre soube que as séries se tornariam mania algum dia. Só não sabia quando ou como. A publicação da TV Séries surgiu com base nessa crença de que nós existíamos. Eu só não sabia como poderíamos agregar as pessoas para um movimento neste sentido. Estava faltando a internet e estava faltando a qualidade técnica do produto para gerar um movimento”.

Além de encontrar notícias com facilidade e debater em redes sociais, a verdade é que muitos dos atuais espectadores de séries não consumiriam os episódios com a mesma voracidade se tivessem que esperar pela exibição nos canais a cabo brasileiros. O estudante gaúcho Ronan Gorski, 18 anos, utiliza a internet desde 2006 para baixar episódios de Smallville, Kyle XY, Lost e outros 27 seriados. Ele conta que a facilidade dos downloads o fez acompanhar esses programas, mesmo sem TV por assinatura. “Fazendo downloads, você pode assistir mais rapidamente, e acompanhar desde o início séries que, lá fora, estão na terceira ou quarta temporada”, afirma. Para auxiliar usuários como Ronan, que não fala inglês, internautas como a bióloga carioca Tata, 33 anos, abdicam de algumas horas de sono para produzir legendas para os arquivos de vídeo que são baixados de sites ou através de torrents. Fã de Dexter, Tata e um grupo de amigos criaram o grupo Psicopatas em outubro de 2006 para traduzir os diálogos da série. “A qualidade das legendas disponíveis é muito alta. Pessoas com excelente nível de português e inglês tomaram este hobby como coisa séria”, conta. “Eu conheci pessoas divertidas e aperfeiçoei muito o meu inglês”, enumera as vantagens do trabalho, pelo qual nenhum dos legenders recebe remuneração. Obviamente, entrar madrugada adentro legendando é cansativo, e traz um efeito inimaginável para quem baixa: “As pessoas envolvidas na legenda acabam perdendo o tesão pela série”, lamenta Tata. Ela também é uma das administradoras do portal legendas.tv, o mais popular entre os amantes de séries brasileiros, que chega a ter dois mil acessos simultâneos em busca das quase 69 mil legendas disponíveis em seu banco de dados. Recentemente, o portal foi ameaçado por uma entidade que defende as empresas produtoras dos seriados, mas se mantém no ar graças a diversos truques de seus administradores.

As mídias mais “tradicionais” também se rendem ao fascínio que as séries americanas exercem sobre os telespectadores brasileiros. O jornal Zero Hora publica a coluna Fora de Série, assinada pela jornalista Camila Saccomori, semanalmente desde maio do ano passado. O espaço de opinião e informação sobre seriados foi ampliado com um blog, que estreou junto com a edição online do jornal, em setembro de 2007. “O caderno de TV sempre tentou publicar notícias de seriados, ao menos as estréias, mas sem um espaço fixo era difícil – a primeira coisa que caía era esse material, justamente porque TV a cabo tem uma fatia de público mais restrita”, conta Camila. Com o aumento do interesse do público pelas séries, que a jornalista credita mais à qualidade do produto do que à popularização dos downloads, o assunto ganhou espaço nobre no jornal. Na edição impressa, porém, são privilegiadas as informações sobre os programas exibidos na televisão, muitas vezes assistidos pela colunista meses antes. “Os leitores de ZH são mais tradicionais. Já o blog permite que se acompanhe taco a taco com a exibição americana. Não escapo, porém, de dar alguma coisa de programação brasileira para tentar captar um público diferente, afinal nem todo mundo quer abrir mão do ritual de sentar em frente à TV, aguardar o horário certo de sua série, todas as semanas, de preferência com a família em volta”, pondera. Camila, no entanto, admite ser uma “hard user” em relação aos downloads. “Desde junho de 2004 a internet é exclusivamente o meio pelo qual eu vejo qualquer coisa de cinema e seriados. Há pessoas que acham isso um horror, por causa do isolamento, mas é o maior conforto que pode existir para mim”.

Algumas emissoras tentam se adaptar à nova realidade. Nos sites dos canais americanos, é comum a publicação de episódios na íntegra para os espectadores (geralmente disponíveis apenas aos IP’s do país) para visualização online, sem necessidade de download. Aqui no Brasil, no entanto, são poucas as iniciativas neste sentido. O site da Warner disponibilizou o episódio piloto de “Studio 60 on the Sunset Strip” semanas antes da estréia da série no canal e mantém também episódios do fenômeno “Gossip Girl”. Entretanto, o internauta pode desanimar com a necessidade de instalação de um plugin. Na página do AXN, é possível assistir aos episódios da animação Afterworld, porém com áudio em espanhol e sem legendas. Enquanto os sites da Sony e da Universal não oferecem vídeos para os internautas, no Mundo Fox são disponibilizados trechos das séries transmitidas pelo canal, com uma única vantagem para o espectador do canal: são legendadas.

Será que os canais de televisão conseguirão se adaptar à esta nova realidade?

logotipo-olimpiadas-rio-20161Antes dos brasileiros assistirem em 2016 as Olimpíadas do Rio de Janeiro, tem ainda os Jogos de Londres, daqui três anos. E a briga pelos direitos de transmissão dos mesmos começou cedo entre as vorazes Redes Globo e Record, que ofereceram valores absurdos pela exclusividade de ambos os eventos esportivos.

Em 2007, engajada no projeto de alavancar a audiência pelo esporte e de tirar as Olimpíadas de Londres da Globo a qualquer preço, a Record bancou 60 milhões de dólares, garantindo a transmissão exclusiva dos Jogos, que pela primeira vez não serão da Globo. Um fato histórico na TV brasileira e que beira o abuso do poder econômico, pois pelas Olimpíadas de Pequim em 2008, a Globo pagou bem menos: 12 milhões de dólares. Uma ignorância da Record!

Mas não para por aí a história. Com a confirmação dos Jogos de 2016 no Brasil, a disputa pela exclusividade dos direitos de transmissão se intensificou. A Record, mais uma vez, veio com ofertas bem acima da média para manter as Olimpíadas com a emissora. Porém, espertamente, a Globo trouxe a banda para a negociação, fazendo propostas conjuntas para garantir a transmissão nem que fosse em dupla. Para não perder a oportunidade, a Record chegou a oferecer 120 milhões de dólares, enquanto a Globo e a banda juntas somariam entre 70 e 100 milhões de dólares.

A decisão final do COI (Comitê Olímpico Internacional) sai ainda este ano. A expectativa é que as três emissoras transmitam os Jogos, sem exclusividade, até mesmo para que o COI tenha mais lucro nas negociações.

A vida nos ensina que, em uma briga entre duas pessoas, é muito fácil ficar ofendendo, encarando, intimidando, enquanto tem gente para segurar as feras e evitar que o conflito físico ocorra. Na TV não é diferente. E conforme nós já havíamos previsto, a briguinha Globo X Record agora vai tomar proporções épicas:

Sinceramente, a repórter da Globo deveria ter metido AQUELA patada nos peitos da jornalista da Record e gritar “THIS IS SPARTAAAAA!!!”

Televisão e futebol são duas das maiores paixões do brasileiro. (Há quem diga que, se fosse uma pelada entre os protagonistas da novela das 7 contra os da novela das 8, seria das brasileiras também). Somos 180 milhões de técnicos e telespectadores diante da TV, para celebrar o único show do mundo onde a protagonista é uma gorduchinha.

SilvioLuizAcerte o seu aí que eu arredondo o meu aqui!

Por mais que todo mundo assista um jogo de futebol na TV pela ação que acontece dentro das quatro linhas, as emissoras de televisão buscam o chamado “diferencial”. Supondo que todas elas decidam transmitir, ao mesmo tempo, um amistoso da seleção brasileira, em que canal você assistiria? A resposta mais lógica para ela seria “qualquer um”, já que o que importa é o ato em si. Mas como estamos falando de TV, e nem sempre a lógica predomina dentro da telinha, a maioria tem sua preferência por um ou outro canal por causa de um fator: o locutor esportivo. Chatos, engraçados, incovenientes, são eles que tornam interessantes os mais de 90 minutos que passam enquanto você vê um bando de marmanjo correndo atrás de uma bola.

Galvão Bueno é, sem dúvida, dentre os atuais locutores esportivos, o principal. Se ele é um cara chato e arrogante, ou se ele comete trocentas gafes durante uma narração, isso não importa. Galvão conseguiu o que poucos conseguem: ser um ícone. Tanto que, internamente, a Globo realiza laboratórios e cursos para descobrir, em meio a diversos candidadtos, aquele que irá substituir futuramente a sua voz quando se aposentar. Dizem que esta é uma das mais difíceis tarefas da casa… Na sua biografia, Galvão disse que o seu trabalho é vender emoções ao público. De fato, quem aí não se lembra dos gritos de “Acabou! É Tetra!” ao final da Copa de 1994? Ou das inúmeras vezes que ouvimos o nome de RRRRRONALDO (antes mesmo do célebre morador da Xurupita o fazê-lo) após uma jogada que culminara em gol? Até os críticos de plantão são obrigados a dar o braço a torcer.

 

vanucci-div

Alô você!

Se não fosse por uma boca cheia numa entrada ao vivo (dizem), Fernando Vanucci estaria figurando no pódio dos principais locutores da Globo, com o seu tradicional bordão “Alô você”, que abrira as transmissões. Hoje ele faz parte do staff da Rede TV!, no comando de uma mesa-redonda sobre futebol, o Bola na Rede. Mas, infelizmente, ter talento na televisão nem sempre é sinônimo de sucesso e popularidade. Mas entrar ao vivo, totalmente chapado, após uma derrota do Brasil na Copa, é.

Porém, cada um tem o seu locutor predileto. E o deste que vos escreve é, disparado, Silvio Luiz. Primeiro que ele marcou a minha infância quando foi locutor do SBT na Copa de 1990, interagindo com o Amarelinho (mascote do canal para a transmissão do evento, uma cópia descarada do Pac-Man). Silvio Luiz é mais que um locutor, ele é a personificação daquele tio bonachão que assiste o jogo na sua casa depois do churrasco de domingo. Criador de inúmeros bordões, mais do que narrar um jogo, ele o deixa mais divertido. Por anos ele foi uma espécie de “coringa” de diversos canais – Band, Record, SBT, e atualmente, Rede TV!.

BONUS TRACK:

Eles não são locutores. Mas conseguem ser tão engraçadinhos quanto os próprios durante uma partida de futebol. São os repórteres de campo, que sempre se esforçam para levar as informações mais importantes do gramado para a sua telinha. Uma das inovações que estes repórteres criaram para a TV foi a do strand-up no momento certo, criado pelo gaúcho Régis Roesing, que inspirou muito s tantos outros por aí, como Tadeu Schmidt, que logo descobriu que não é tão fácil assim para fazer igual.

ombudsman

Este humilde veículo virtual (mas bem limpinho, diga-se de passagem) não se dedica apenas a olhar para dentro da maravilhosa programação aberta da TV brasileira, como também olhar para aqueles que olham a nossa TV. Nossos “colegas” nem sempre conseguem digerir as informações que chegam até eles, regurgitando ao público qualquer coisa. E convenhamos, nada que seja regurgitado é algo bom de se consumir.

Fabíola Reipert e Patrícia Kogut são jornalistas oriúndas da redação (respectivamente Folha de São Paulo e O Globo). Suas respectivas colunas, assim como o conteúdo dos jornais, migraram para a internet. Hoje, cada uma mantém o seu blog onde comentam o que acontece na telinha (e fora dela). Certamente Alex Primo definiria estes blogs como profissionais informativos e reflexivos. Ambos falam sobre sua área de atuação, trazem notícias, opiniões e críticas. Porém, como estão situados sob a tutela de grandes portais, não são blogs que visam lucro.

E as comparações acabam por aí.

kogut

Kogut é a típica chapa-branca. Profissional da Globo, com blog hospedado na Globo. Qual é o assunto predominante nos posts? Lógico que são os profissionais da emissora do finado Roberto Marinho! Na falta de pautas, entrevistas e notas com o casting do terceiro escalão da casa são publicados – ou interessa pra alguém saber a quantidade de fibras que a apresentadora da TV Globinho ingere pela manhã?  Como a TV não é só “plim-plim”, a concorrência é citada. E na maioria das vezes, de modo depreciativo.

kogut2

O ponto positivo do blog é a interação com o leitor. Semanalmente, Kogut publica a opinião dos leitores sobre assuntos postados, de acordo com a nota dadas para eles. Até mesmo quando os leitores “xoxam” algo ligado à Globo, a opinião é postada. A escassez de assuntos interessantes acaba deixando o blog monótono. É praticamente um Video Show virtual – só falta o Mocotó aparecer para falar uma gracinha e a musica do Michael Jackson rolando no fundo.

reipert

Já Fabíola Reipert é a típica fofoqueira de varanda. Seus posts são, na maioria, especulativos. “Rola nos bastidores da emissora X que Fulano tem caso com outro homem”. Isso agrega em quê? Como a especulação anda ao lado da mentira, imaginem o quão constrangedor é quando a jornalista publica um post que é desmentido pela pessoa citada em seguida. Fabíola está tão acostumada que não tem o hábito de publicar erratas.  E ela erra. Muito. A colunista padece do mesmo mal que Ricardo Noblat, que prefere dar o furo a checar as informações. Porém, a fofoca também é o seu trunfo – quem não gosta de dar uma fuxicada na vida de alguém, descobrir os podres de outrém? Principalmente se o visado é aquele artista “perfeito”, que todo mundo inveja, cujas falhas lhe fariam aproximar dos pobres telespectadores mortais.

A internet mostra-se como um palco livre e novo para a produção de conteúdo. Mas cabe aos jornalistas migrantes para a nova mídia trazerem hábitos da velha mídia, como apuração jornalística e relevância. Nem sempre a história da cauda longa é aceitável. E nem sempre o povo é burro.

portalseries

Com a popularização da internet, muitos apostaram no fim dos meios de comunicação tradicional. Rádios, jornais e televisão tiveram seus fins previstos por analistas e palpiteiros de plantão. Mas o que vemos atualmente é uma complementação dos conteúdos dentro da rede. Mesmo que o acesso à programação televisiva seja fácil dentro da rede, através de streaming ou de downloads, as pessoas não abandonam o hábito de se reunir em frente à televisão em determinado horário para assistir seus programas favoritos. Mas isso não quer dizer que a internet – em especial os blogs – não cause impacto naquilo que vemos na telinha.

Se as emissoras ainda promovem grupos de discussão para decidir os rumos da mocinha da novela, elas agora contam com um reforço de peso para analisar a reação do público aos seus produtos: os blogs de (ou sobre) televisão. Telespectadores engajados, fãs inveterados e críticos aproveitam o espaço democrático da internet para comentar sobre novelas, reality shows, humorísticos, jornalísticos e programação de tv a cabo, em especial os seriados americanos. Os blogs que falam sobre séries de TV são cada vez mais numerosos, e seus leitores e autores cada vez mais influenciam nos rumos destes programas, já que a audiência não pode mais ser medida só através dos tradicionais aparelhos de institutos instalados nos aparelhos. Vimos um exemplo no ano passado, quando uma campanha dos telespectadores salvou a série “Chuck” do cancelamento.

E, como essa audiência via internet é global, os leitores brasileiros contam com blogs de diversos países para ler resumos, críticas e notícias sobre estes programas. O Detonando a TV conversou com o blogueiro português Marco Braga, do Portal Séries, para saber quais são suas motivações para escrever sobre o assunto, e também qual o retorno que ele tem com o blog. Confira:

Que tipo de séries cobres no blog? Só produções que são exibidas na tv portuguesa?

No blog são cobridas várias séries americanas e inglesas e quando existem séries portuguesas que vale a pena comentar, também comento. Vamos desde as principais até algumas mais desconhecidas pelo telespectador geral, como por exemplo os reality shows So You Think You Can Dance e Survivor. Também temos um bloco de comédia composto por Californatication, How I Met Your Mother, entre outras.

Já cobriste alguma série brasileira no blog?

Eu pessoalmente não cobri, mas tenho uma editora, a Marcia Silva, que cobriu a minissérie Som e Fúria pois ela é muito fã do seu realizador.

Quando surgiu o blog?

Eu comecei já há alguns anos, mas nunca tinha dado certo, também não tinha maturidade para tal. Depois decidi começar do zero quando começou a temporada 2008/09, em setembro do ano passado. A partir daí tem sido um crescimento constante e é com orgulho que vejo não só o Portal no ar, como o reconhecimento que temos.

Porque um blog sobre séries de tv?

Inicialmente era para ser um blog de cinema e séries, mas acabei por ficar só com a parte televisiva. Vejo séries desde pequeno e sempre gostei desse universo, apesar de antes de criar o blog não estar familiarizado com termos como ‘series premiere’, ‘temporada completa’ ou ‘season finale’ por exemplo. Foi uma autêntica aprendizagem!

O conteúdo é bem completo. Tens colaboradores?

Sim, a partir de metade da temporada 2008/09 comecei a aceitar colaboradores. Alguns ficarão e outros tiveram que sair. Neste momento, além de mim, tem mais sete a oito pessoas que tornam o Portal de Séries possível. Metade da equipa é portuguesa e metade brasileira, o que é muito bom!

Qual retorno tens com o blog?

O retorno tem sido muito positivo tanto a nível de visitas como de comentários. Se me perguntassem há um ano atrás se eu imaginava que estaria assim com o Portal agora, eu responderia que não. É muito bom ver o nosso trabalho reconhecido, colunas publicadas noutros locais, enfim…

O relacionamento com outros blogueiros é importante?

Sim, isso é muito importante. Eu confesso que não sou muito de comentar, mas visito inúmeros sites de séries como o  Blog Na TV, Série Maníacos, TVDependente, Séries é Aqui, entre muitos outros. Às vezes entro em contacto com alguns administradores para trocar impressões a nível de parcerias, passatempos, etc.. É sempre bom contar com outros bloggers e ver que todos trabalhamos para um objectivo comum: o mundo das séries.

Tens algum feedback dos canais que exibem os seriados?

Sim, tenho. Neste momento estou prestes a assinar contrato para ser parceiro oficial do grupo FIC (FOX IBERIA CHANNELS – Canais FOX de Portugal e Espanha). Temos um contacto sempre presente onde eles (FIC) enviam informações sobre as estreias, acções de publicidade, entre outras coisas. Neste momento não posso adiantar mais nada sobre essa parceria, mas vai ser positiva para ambos os lados! Eu sou totalmente apoiante dessa relação de proximidade entre os canais de séries e os fãs.

Como é o mercado de blogs de séries em Portugal?

Em Portugal não existem muitos blogs de séries, até porque é um país relativamente pequeno a comparar com o Brasil. Claro que tem os seus grandes blogs que aprecio bastante, com destaque especial para o TVDependente e TV-Files (esse último é composto apenas por reviews, mas a sua simplicidade e arquivo fazem dele um grande ‘must-see’. Existem outros, como em todo o mundo, que se consideram melhores que ninguém (aqui não vou enunciar nomes, como deve compreender) e ainda outro que se quisesse teria um grande potencial para vingar ainda mais.

Tens algum plano para o futuro do blog?

Sim, posso adiantar com ‘exclusividade’ que o Portal de Séries vai ter um cabaz de Natal para ser sorteado. Esse cabaz vai ser composto por BOXs de Séries, Livros, T-shirts oficiais do Portal de Séries, fotos e talvez posters. Enfim, vai ser um passatempo em grande e que espero que haja grande aderência. Mudança de layout não está para breve pois da última vez que mudei deu um trabalhão e sinceramente gosto bastante desse tema actual. Para breve está a tal parceria com a FOX que falei acima e ainda alguns passatempos para os fãs brasileiros, algo que tenho estado a prometer mas que desta vez é para valer!

guerra_globo_record

Que as emissoras disputam a atenção dos telespectadores de maneira virulenta, qualquer pessoa com mais de dois neurônios é capaz de perceber. Globo, SBT, Record e Band usam e abusam dos programas popularescos e das fórmulas importadas para conquistar a parcela menos privilegiada (e mais numerosa) da população brasileira. Mas quando a guerra entre os canais chega aos noticiários, a disputa atinge níveis preocupantes. E foi isso que nós vimos na primeira quinzena de agosto deste ano: um festival de troca de acusações entre Globo e Record, dentro de espaços que deveriam servir apenas para informar. Quem perde com isso é o telespectador, que vê sua inteligência ser questionada de maneira descarada por jornalistas que, por medo de perder os empregos, são obrigados a produzir reportagens de cunho claramente ideológico. Imparcialidade? Este conceito é desconhecido nas redações das referidas emissoras.

Globo-Record

capa380

Entenda o caso:

Tudo começou no dia 11 de agosto, quando o Ministério Público denunicou o bispo Edir Macedo e outros nove membros da Igreja Universal por lavagem de dinheiro oriundo de doações de fiéis. O Jornal Nacional daquela noite exibiu uma longa reportagem sobre o assunto, onde a ligação com a Rede Record foi ressaltada. A matéria teve uma duração de nove minutos, sendo que as denúncias foram apresentadas durante sete minutos, e a defesa de Edir Macedo usou os dois restante.

record(Captura de tela: blog Memórias Fracas)

Na mesma noite, a Rede Record tratou de se defender em seu telejornal noturno, onde o mesmo advogado também ocupou um espaço de dois minutos. No dia seguinte, o Jornal da Record exibiu uma longa reportagem falando sobre os “interesses escusos da família Marinho” e sobre como o crescimento da emissora incomodava a Vênus Platinada. Mas a resposta mais contundente da Record veio alguns dias depois. O programa Repórter Record exibido no domingo, dia 16/08, veiculou uma longa reportagem sobre a Rede Globo e suas supostas irregularidades. Segundo a matéria, o promotor que denunciou a Record já teria sido condenado por favorecer a Globo. Ele teria fornecido imagens de uma investigação com o traficante Fernandinho Beira-Mar para o Fantástico. Outros escândalos envolvendo a emissora carioca foram citados na reportagem, que além disso mostra como os evangélicos são retratados nas novelas globais, em uma clara tentativa de manipular a opinião dos fiéis que assistem à emissora.

Assista:


Mas a Record não parou por aí: comprou os direitos sobre o documentário “Muito além do Cidadão Kane”, exibido pela TV inglesa em 1993, que fala sobre o monopólio de Roberto Marinho na comunicação brasileira. O filme, que antes era restrito às faculdades de comunicação, serve como munição contra a emissora. Em contrapartida, a Rede Globo negocia um documentário francês que apresenta “os podres” da Igreja Universal.

E o povo, o que ganha com isso? Nada. O império da Globo continua de pé, a Rede Record continua angariando fiéis para a Igreja Universal, e a programação de ambas as emissoras continua uma porcaria.

Você sabe como começou a rixa entre a Globo e a Record? Nem todo mundo está por dentro desta história. Então vamos explicá-la de uma maneira bem didática.