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Que as emissoras disputam a atenção dos telespectadores de maneira virulenta, qualquer pessoa com mais de dois neurônios é capaz de perceber. Globo, SBT, Record e Band usam e abusam dos programas popularescos e das fórmulas importadas para conquistar a parcela menos privilegiada (e mais numerosa) da população brasileira. Mas quando a guerra entre os canais chega aos noticiários, a disputa atinge níveis preocupantes. E foi isso que nós vimos na primeira quinzena de agosto deste ano: um festival de troca de acusações entre Globo e Record, dentro de espaços que deveriam servir apenas para informar. Quem perde com isso é o telespectador, que vê sua inteligência ser questionada de maneira descarada por jornalistas que, por medo de perder os empregos, são obrigados a produzir reportagens de cunho claramente ideológico. Imparcialidade? Este conceito é desconhecido nas redações das referidas emissoras.

Globo-Record

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Entenda o caso:

Tudo começou no dia 11 de agosto, quando o Ministério Público denunicou o bispo Edir Macedo e outros nove membros da Igreja Universal por lavagem de dinheiro oriundo de doações de fiéis. O Jornal Nacional daquela noite exibiu uma longa reportagem sobre o assunto, onde a ligação com a Rede Record foi ressaltada. A matéria teve uma duração de nove minutos, sendo que as denúncias foram apresentadas durante sete minutos, e a defesa de Edir Macedo usou os dois restante.

record(Captura de tela: blog Memórias Fracas)

Na mesma noite, a Rede Record tratou de se defender em seu telejornal noturno, onde o mesmo advogado também ocupou um espaço de dois minutos. No dia seguinte, o Jornal da Record exibiu uma longa reportagem falando sobre os “interesses escusos da família Marinho” e sobre como o crescimento da emissora incomodava a Vênus Platinada. Mas a resposta mais contundente da Record veio alguns dias depois. O programa Repórter Record exibido no domingo, dia 16/08, veiculou uma longa reportagem sobre a Rede Globo e suas supostas irregularidades. Segundo a matéria, o promotor que denunciou a Record já teria sido condenado por favorecer a Globo. Ele teria fornecido imagens de uma investigação com o traficante Fernandinho Beira-Mar para o Fantástico. Outros escândalos envolvendo a emissora carioca foram citados na reportagem, que além disso mostra como os evangélicos são retratados nas novelas globais, em uma clara tentativa de manipular a opinião dos fiéis que assistem à emissora.

Assista:


Mas a Record não parou por aí: comprou os direitos sobre o documentário “Muito além do Cidadão Kane”, exibido pela TV inglesa em 1993, que fala sobre o monopólio de Roberto Marinho na comunicação brasileira. O filme, que antes era restrito às faculdades de comunicação, serve como munição contra a emissora. Em contrapartida, a Rede Globo negocia um documentário francês que apresenta “os podres” da Igreja Universal.

E o povo, o que ganha com isso? Nada. O império da Globo continua de pé, a Rede Record continua angariando fiéis para a Igreja Universal, e a programação de ambas as emissoras continua uma porcaria.

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